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Uma tarde com a número 1

Uma tarde com a número 1

Uma conversa com Thaís Makino, atual campeã brasileira de escalada, atleta da seleção brasileira de escalada e uma das favoritas para levar tudo em 2019

Chegamos um pouco mais cedo no nosso ponto de encontro, eu, minha filha de três anos e meu irmão mais velho, que serviria de babá para a tarde.

A Fábrica Escalada é o mais novo endereço em São Paulo de escalada indoor e o atual centro de treinamento de Thaís Makino. Como parece ser o costume em ginásios do tipo, a fachada é discreta, apenas uma porta dando pra rua, sem indicação nenhuma do que acontece lá dentro. Entramos.

Depois de atravessar um longo corredor com paredes desenhadas, fomos atendidos por Carlitos, um cara de ombros e braços grandes, cabelo comprido e óculos de aro grosso. Com a camiseta amarela e o boné, parecia saído de um desenho animado, ou talvez de uma barraca de camping do Camp 4, em Yosemite. Falava forte mas simpático, com jeito de dono: “Então, a gente não recebe criança, só a partir dos 10 anos, e olhe lá… Aqui é só boulder, não temos corda de segurança, nem teria muita coisa para ela brincar por aqui. A Casa de Pedra Moema tem um espaço voltado para crianças, é bem legal e fica perto daqui, vou te mostrar:”

E virou a tela do computador do balcão para mim e fez uma rápida busca de imagens do Google. Em cinco segundos apareciam muros de escalada que me fizeram lembrar o Parque da Mônica: um simulava uma escada retrátil de caminhão de bombeiros, outro uma teia de aranha, outro um monte de bolas coloridas. “O nosso foco aqui é outro, é treinamento, é galera que escala mesmo… Você veio falar com a número 1!

Carlitos tinha razão. Despachei minha filha para a Casa de Pedra com o tio e entrei no espaço da Fábrica esperar a Thaís. Para minha sorte, ela não seria o único membro da família Makino que eu encontraria hoje.

 

Fábrica Escalada

O espaço da Fábrica Escalada, especializado em boulder.

 

Conheça os Makino

Eu já sabia que a família Makino respira escalada. Mas não esperava encontrá-la quase inteira no ginásio naquele domingo. A Thaís ainda não havia chegado, mas entre os grupos de jovens atléticos de peito nu e mãos brancas de magnésio, havia uma figura que poderia parecer deslocada, se não fosse o olhar tranquilo resultado de anos de experiência em ginásios como aquele. Goro Makino, o pai da campeã, já escalava antes de muitos dos visitantes do espaço terem nascido.

Ele estava no fundo, regata preta e shorts branco, cabelo curto e escuro que resistia em se entregar ao grisalho. Se distraía com um boulder novo que os route setters (esse pessoal sádico que decide onde e como posicionar as agarras nas paredes nos ginásios) haviam armado. Chegava, apoiava um pé, explorava as agarras, apoiava o outro, mas rapidamente perdia a aderência e voltava para o colchão. Não insistiu muito e foi descansar em um dos pufes. Foi quando me aproximei.

“Oi, com lincença, você é o Goro? Pai da Thaís Makino?”

Ele olhou para trás e abriu um sorriso de pai orgulhoso. Começamos a conversar.

Foi durante um passeio por São Bento do Sapucaí que a família Makino descobriu a escalada. As irmãs Ana Luísa e Thaís, então com 12 e 7 anos, viram pela primeira vez um grupo de escaladores enfrentando uma das vias do Complexo do Baú. Analu se impressionou muito com aquele bando de malucos subindo as paredes de rocha amarrados por cordas, e quis experimentar.

Muitos pais poderiam ter considerado isso como mais uma curiosidade da viagem, se afastado do grupo e procurado uma praça para tomar sorvete. Mas Goro não.

O pai foi logo procurar um curso de escalada para a família experimentar o esporte. Em pouco tempo o bichinho da escalada mordeu a todos, e os Makino nunca mais deixaram de subir pelas paredes.

A irmã mais velha, Ana Luisa, foi campeã brasileira em dificuldade duas vezes antes de Thaís assumir o posto. Hoje, aos 35, ela ainda escala em alto nível e escreve para o site de escalada Desce Daí Doido!. O pai, que conheceu a escalada aos 40, hoje compete na classe sênior (+45) e já foi campeão na categoria. A mãe, Mieko, que era enfermeira, hoje trabalha em um ginásio de escalada em São Paulo. A relação da família com a escalada inspira e impressiona.

A família brinca que Luísa, filha de Analu e sobrinha de Thaís, quase aprendeu a escalar antes de andar. Quando dava mostras de querer ficar de pé e dar os primeiros passos, Goro, o vovô babão, instalou uma mini-parede de escalada no quarto da criança. Claro que virou o brinquedo do bebê, que se apoiava nas agarras para se firmar, e em pouco tempo começou a escalar e se pendurar pelas bordas. Hoje, a menina Luísa acompanha a mãe em alguns treinos e viagens de escalada, e se aventura por ela mesma nos boulders a seu alcance.

Quando perguntado sobre o futuro da neta dentro do esporte, o avô brinca: “não tem pressão nenhuma dela ser escaladora, ela pode ser o que for. Boulder, Dificuldade, Velocidade…. Ela pode escolher o que quiser!

 

Thaís, Ana Luísa e Goro Makino

As duas irmãs e o pai se revezando tentando resolver um dos boulders do ginásio

 

A rotina de treino

Pouco tempo depois, chega Thaís. Ainda conversando com Goro, consigo perceber algumas cabeças virando enquanto ela percorre os grupos cumprimentando pessoas conhecidas. Talvez seja minha expectativa de entrevistador, mas é possível perceber a vibração no ar: A campeã chegou. Sem querer atrapalhar sua rotina, combinamos de conversar depois do treino. Fui para meu canto e observei.

O treinamento de Thaís é intenso, e só possível com a dedicação dela 100% para a escalada: a base são 3h a 3h30  de prática seis vezes por semana na Fábrica.

Ela brinca: “primeiro eu chego, converso mais de uma hora com todo mundo, e aí vou pro aquecimento”. O foco dela agora é no boulder, considerando a proximidade do campeonato brasileiro da modalidade, dias 26 e 27 de abril. Além do tempo nas paredes e no fingerboard (espécie de barra de exercícios específica para escalada, que serve para fortalecer juntas dos dedos e pulsos, além dos braços), Thaís investe bastante nas rotinas de aquecimento e alongamento.

Fora o dia a dia na Fábrica, ela faz treinamento funcional duas vezes por semana, com foco para trabalhar seus pontos fracos. Visto de fora, o treino funcional parece uma espécie de pilates dinâmico, uma série de exercícios de puxar, empurrar, levantar, saltar, e outros movimentos incomuns com o foco em tornar o corpo mais eficiente.

Atualmente ela se prepara sem treinador exclusivo, mas já teve o acompanhamento de Rômulo Bertuzzi, uma das primeiras pessoas no Brasil a levar a escalada para a universidade e dar um enfoque acadêmico sobre o assunto – Hoje, ele é professor no departamento de esporte da USP.

O convite para fazer parte do grupo de atletas de Rômulo (chamado carinhosamente por ele de “cobaias”) aconteceu quando Thaís tinha 13 anos, depois de alguns resultados promissores em campeonatos amadores. “Eu era criança e só tinha que ir na escola, tinha muito tempo livre, então claro que aceitei”. A parceria durou três anos, e foi definitiva para a consolidação da carreira de atleta de Thaís.

A escola de Rômulo focava muito na técnica, em oposição à força bruta: “Ele ensinou a escalar de forma inteligente”. Observando sua técnica, se vê que a experiência serviu: enquanto a maioria dos outros frequentadores do espaço lutavam para passar entre as agarras, visivelmente fazendo muita força, Thaís parece dançar entre os boulders. Seus movimentos são graciosos, precisos, de quem sabe o que está fazendo.

 

Thaís Makino

 

Dá para pagar as contas?

Thaís faz parte, talvez, da primeira geração de atletas brasileiros que conseguem viver de escalada competitiva.

Isso é um avanço fundamental e exemplo claro do crescimento e consolidação do esporte no cenário nacional. Claro, a conta ainda é apertada. Quando pergunto se ela consegue viver só com os incentivos ao esporte, ela relativiza: “quase não dá”.

A entrada da escalada nas Olimpíadas foi fundamental para esse avanço. A proximidade dos Jogos incentivou a ABEE (Associação Brasileira de Escalada Esportiva) a se organizar rapidamente como instituição, e graças ao esforço desse pessoal junto ao Comitê Olímpico Brasileiro os atletas federados podem receber uma bolsa-atleta. Esse incentivo está mais próximo de uma ajuda de custo do que um salário, mas é um passo fundamental para o sonho da dedicação exclusiva ao esporte.

A Fábrica também oferece o apoio cedendo o espaço de treino e também com um suporte financeiro, e nós da SBI Outdoor apoiamos Thaís com todo o equipamento necessário para o esporte.

Claro, para as contas fecharem, ela ainda vive com os pais (que nem é preciso dizer, são grandes incentivadores de sua carreira esportiva) e dá aulas de acompanhamento técnico para escaladores amadores na Fábrica. Mas conseguiu largar no começo do ano o trabalho de assistente de fotografia, o que não são muitos atletas que conseguem fazer.

 

Thaís Makino boulder topo

 

Futuras gerações

Thaís foi primeira colocada em todas as três modalidades do campeonato brasileiro do ano passado e é uma das grandes favoritas para este ano, mas ela sabe que isso ainda representa pouco para o lugar do Brasil no ranking mundial.

A escalada tem crescido exponencialmente nos últimos anos, e os campeões de agora tiveram que lutar muito contra a falta de estrutura e incentivo para seguir praticando o esporte em alto nível. Para Thaís, este cenário está mudando.

Eu sinto que estamos preparando o terreno para a futura geração de campeões”.

O Brasil ainda é tímido nos campeonatos mundiais, mas o potencial é enorme para quem está chegando agora no esporte, principalmente a molecada.

Se você é campeão brasileiro com, sei lá, 16 anos, tem muito para crescer para chegar nos campeonatos mundiais. Se você é campeã com mais de 30 anos como eu, aí é mais difícil”.

Temos que ficar de olho nessa nova geração que está vindo, que vai poder aproveitar todos os benefícios e estrutura de um esporte com projeção olímpica e completamente estruturado.

Uma das promessas brasileiras é Amanda Criscuoli, atleta SBI Outdoor. Hoje com 12 anos, tem mostrado bons resultados na escalada desde os nove. Por menor pressão que haja na família, seria estranho se a própria Luísa, sobrinha de Thaís, não se tornasse uma escaladora de alto nível, dado o tempo que todos os Makino gastam em ginásios de escalada.

Exitem outras crianças por aí, com menos projeção midiática mas com pleno potencial para se tornarem campeões brasileiros e lutarem para subir no ranking mundial.

Já caminhávamos para o fim da nossa conversa quando vejo meu irmão com minha filha de volta. Ela estava elétrica como só uma criança de três anos que passou a tarde escalando poderia estar. Enquanto contava, à sua maneira, as aventuras na Casa de Pedra, dei uma boa olhada paterna para ela, e de canto de olho, para Thaís.

Quem sabe, minha Zoé não pode seguir o caminho que os campeões de agora estão abrindo, e ser ela uma futura campeã? Quem sabe?

 

 

 

 

Como voltar à rotina de escalada depois de uma lesão?

Como voltar à rotina de escalada depois de uma lesão?

Por Raphael Nishimura

No final de fevereiro tive alta médica para voltar a escalar!

Estava afastado dos treinos por causa de duas fraturas seguidas na clavícula: a primeira foi em 2017 durante uma prova de bike e a segunda foi em 2018 quando houve uma tentativa de retirar a placa e os pinos… (Leia aqui a história completa)

Longe da escalada desde agosto de 2018, chegou a hora de retomar os treinos e focar na escalada, já que pelo menos estava liberado para pedalar desde dezembro!

Nishimura e sua companheira de pedal

Bike pelo menos já estava liberado, agora é voltar a subir parede!

Mas como sair da inércia depois de tanto tempo parado e focar nos treinos de escalada e bike?

A rotina de trabalhar, manter o convívio social, conciliar o trabalho na ABEE (Associação Brasileira de Escalada Esportiva) fora do horário comercial… Não é algo fácil de reorganizar quando você fica tantos meses nesta rotina.

O que eu conseguia fazer era pedalar de leve no final de semana e um pouco de fisioterapia em casa. Eu comprei um thera-band, que é uma fita elástica utilizada para fazer fisioterapia e aquecimento para escalar.

Comprei na tentativa de fazer alguns exercícios com ele, mas adianto que a disciplina nesse ponto não era dos melhores. A questão é que fiz tanta fisioterapia em 2018 que para mim agora existe uma espécie de bloqueio para fazer esses exercícios em casa, mas para ser utilizado para ganhar força muscular é muito bom.

Rapha com sua Thera-band

Uma das minhas sessões com a Thera-band

 

Minha rotina de exercícios para voltar a escalar

Para retomar a escalada eu decidi pegar bem leve, para ganhar condicionamento físico, força e perder peso. Uma dica legal e que me ajudou MUITO e ainda estou mantendo:

Quando eu troquei de emprego e voltei a trabalhar no 14º andar, eu comecei a subir todos os dias de escada para chegar no trabalho. Paro o carro no primeiro subsolo, então são ao todo 15 andares todos os dias!

O começo foi bem cansativo, chegava ofegante no andar e os amigos do trabalho não entendiam ou ficavam assustados… Com o tempo eles se acostumaram, e até um deles resolveu subir as escadas também!

Isso me ajudou a perder peso e ganhar um pouco de condicionamento cardiovascular. Segundo meu aplicativo do celular, minha média diária são de 10 andares por dia, lembrando que não trabalho no final de semana e alguns dias trabalho em casa. Como eu subo em um ritmo tranquilo, não chego nem a suar.

Com certeza o aspecto psicólogico e a motivacão são as peças mais importantes para voltar à rotina de treinos e ter foco em objetivos dentro do esporte. Hoje eu só quero voltar à forma física, não sentir dor quando escalo e não me lesionar.

Não tenho o objetivo de escalar “números”, porém quero muito voltar a me aventurar na rocha, especificamente os grandes paredões. Minha rotina de escalada indoor ainda não está fixa, tenho mantido duas visitas por semana na 90 Graus e aos poucos sinto que a força e elasticidade estão voltando, mas a resistência ainda está bem fraca.

Rapha escalando via na 90 Graus

Eu e meu companheiro de escalada Max, um dos divertidos sacos de magnésio da 8BPlus

Uma outra forma que encontrei para ganhar força foi comprar uma barra dessas de colocar entre o batente da porta e pagar barras e fazer bolinha (não sei o nome técnico disso, mas seria subir as pernas para fortalecer o abdômen). Tem ajudado.

 

Desistir, jamais!

A temporada de escalada em rocha começou! Espero estar preparado física e psicologicamente para praticar o esporte que tanto amo! Alinhado a uma boa alimentação, voltar a ter hábitos saudáveis, tudo começa a se encaixar.

Acredito que toda volta é preciso ter muita paciência, resiliência e pensamentos positivos, que no fim das contas o que tiver que ser será! Foco e disciplina também se encaixam nesse perfil, espero em breve retornar à rocha e encontrar novamente os amigos.

Tenho planos para escalar após o feriado da Páscoa!!!

 

Como escolher a cadeirinha de escalada perfeita para você

Como escolher a cadeirinha de escalada perfeita para você

Nós usamos tanto nossas cadeirinhas de escalada que elas acabam virando uma parte do corpo. Diferente das sapatilhas ou do magnésio, que servem para escalarmos melhor, a função da cadeirinha é muito mais discreta e essencial: ela salva nossas vidas. Mas além da segurança, uma boa cadeirinha deve ser confortável e se ajustar com precisão ao nosso corpo e à nossa modalidade de escalada.

Depois da sapatilha, a cadeirinha é o próximo item na lista de compras do escalador entusiasta. Mas, como tudo, existe no mercado um oceano de opções e é fácil se sentir perdido, sem saber o que é importante e qual é o ideal para cada tipo de uso.

Pensando nisso, preparamos este artigo simples para explicar as diferentes características deste equipamento e te ajudar na hora de fazer uma boa escolha.

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Review: mochila Trango Ration Pack, por Lucas Marques

Review: mochila Trango Ration Pack, por Lucas Marques

Sabe o que qualquer escalador, viajante ou aventureiro têm em comum? Seu amor por mochilas de ataque.

Essas mochilas daquele tamanho perfeito em que cabe tudo que precisa, mas ainda conseguem ser compactas o suficiente para não atrapalhar nem pesar nas costas. Pois é. O escalador, viajante e aventureiro Lucas Borges tem a dele, uma Ration Pack, da Trango, e fez um video-review falando das qualidades do equipo.

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Precisando de inspiração? Conheça 8 mulheres que revolucionaram o mundo outdoor

Precisando de inspiração? Conheça 8 mulheres que revolucionaram o mundo outdoor

Você sabia que a pessoa mais jovem do mundo a escalar um boulder de grau V15 (a dificuldade máxima) é uma menina? E você conhece a história da neo-zelandesa que deu a volta ao mundo em bicicleta, sozinha, nos anos 50? E a primeira mulher a ir para o espaço, e somar mais horas em órbita que todos os astronautas americanos juntos na época? E a moça que atravassou o deserto australiano na companhia somente de um cachorro e quatro camelos? E a pesquisadora que passou 50 anos estudando chimpanzés na Tanzânia e redefiniu o conceito de ser humano?

Como em quase todas as coisas do mundo, a vida outdoor ainda sofre com o machismo velado. As meninas sabem o que é isso, ter que responder as mesmas perguntas e ouvir os mesmos comentários de sempre: “você vai fazer isso sozinha?”, “mas não é perigoso?”, “Você não precisa de ajuda?”, “mas a mochila não está pesada demais?”.

Mas a verdade é que existem muitas mulheres espetaculares por aí, e que não, elas não precisam de nossa ajuda para serem incríveis. Elas nos assombram com sua força de vontade e sua capacidade de vencer obstáculos, e servem de inspiração para superarmos nossos próprios limites e nos tornarmos pessoas melhores.

Separamos uma lista com 8 mulheres aventureiras que decidiram seguir seus sonhos e revolucionaram (ou estão revolucionando) suas áreas de atuação. A história de cada uma é uma lição que as mulheres podem, sim, ser tão boas quanto qualquer homem no que quer que seja.

Que chegue logo o momento em que essa afirmação faça parte do senso-comum e não precisemos mais reforçar isso quase diariamente. Até lá, seguimos firmes na luta. 

São elas, as 8 guerreiras:

 

1 – Ashima Shiraishi

Ashima Shiriashi

Ashima tem apenas 17 anos e já é considerada uma das maiores escaladoras do mundo e a melhor escaladora adolescente da atualidade, de ambos os gêneros. Aos 13 anos, ela se tornou a segunda mulher e a pessoa mais nova a escalar uma via 9a/9a+ Fr (11c/12a Br). Aos 14, mandou Horizon, um boulder V15, então o grau máximo de dificuldade da modalidade. Ela é a pessoa mais jovem a conquistar esses graus, e a única mulher do mundo a ter um V15 na lista de conquistas.

Seus próximos objetivos? Escalar um boulder V16, uma via 9a+/9b Fr (12a/12b Br) e, é claro, competir nas Olimpíadas de 2020. Ao que parece, é só uma questão de tempo.

 

2 – Lynn Hill

Lynn Hill

O que se pode dizer de um dos maiores personagens da história da escalada? Lynn Hill já era uma grande referência da escalada tradicional e esportiva nos anos 80 e 90, vencendo quase 30 títulos internacionais e projetando a escalada feminina a um patamar inédito na história.

Mas não foi seu sucesso nas competições que que transformou Lynn Hill em um mito da escalada. Lynn voltou para a escalada tradicional com talvez o objetivo mais ambicioso do esporte na época: escalar em livre (sem o uso de equipamentos para auxiliar na ascensão) o The Nose, a rota mais difícil do Parque Nacional de Yosemite, considerado por muitos a meca da escalada.

Após um ano de tentativas em 1989, ela voltou ao problema quatro anos depois, dessa vez atingindo o topo. Um ano depois repetiu a façanha, desta vez em menos de 24 horas, consolidando uma das maiores conquistas da história do esporte.

 

3 – Jane Goodall

Retrato Jane Goodall

Jane Goodall é uma das maiores cientistas naturais do século XX e a maior especialista do mundo em chimpanzés.

Nascida em uma família humilde da Inglaterra, ela chegou à África em 1957 como secretária do famoso paleontólogo Louis Leakley. Ela passaria grande parte de seus próximos 50 anos no Parque Nacional de Gombe, na Tanzânia, estudando os hábitos de vida de uma população de chimpanzés.

Entre outros avanços, ela foi responsável pela descoberta de que esses animais comem carne, criam e usam ferramentas primitivas e inclusive testemunhou cenas de canibalismo. Essas descobertas mudaram o modo de enxergar esses animais, revolucionou a pesquisa científica e redefiniu os conceitos do que nos torna seres humanos.

“Agora precisamos redefinir o que significa ferramenta e o que significa ser humano, ou aceitar os chimpanzés como seres humanos,” brincou seu mentor Leakley após Jane apresentar o resultado de suas pesquisas.

Sua vida e seu trabalho são retratados no documentário Jane, a Mãe dos Chimpanzés, disponível no Netflix.

 

4 – Robyn Davidson

Robyn Davidson atravessou mais de 2.700 quilômetros do deserto australiano sozinha, apenas na companhia de seu cachorro e quatro camelos. A viagem durou nove meses e foi realizada em 1977, quando ela tinha 27 anos.

Ela lançou um livro sobre sua aventura, Tracks, sem tradução brasileira. Em 2013, foi lançado um filme de mesmo nome inspirado na proeza.

Depois desta jornada, Robyn seguiu viajando para estudar o estilo de vida de grupos nômades da Austrália, Índia e Tibete, e publicou vários outros livros sobre suas experiências. Ela escreve:

“Quando que nós causamos menos danos a nós mesmos, ao meio ambiente e às demais espécies animais? Uma resposta é: quando éramos nômades. Foi quando nos tornamos sedentários que nos transformamos em estranhos em uma terra estranha, e vagar se tornou uma espécie de exílio”

 

5 – Louise Sutherland

Louise Sutherland e sua bicicleta na Índia, em 1953

Louise Sutherland deu a volta ao mundo de bicicleta sozinha muito antes de qualquer um aqui pensar em nascer.

Ela já pedalava longas distâncias no seu tempo de enfermeira na Inglaterra, mas em 1949 decidiu ir mais longe. Ela comprou uma bicicleta usada por duas libras (!!!) em um bazar, prendeu um trailer atrás e saiu para desbravar o mundo. Ela voltou para Londres em 1956 após pedalar por toda Europa, Oriente Médio e Ásia.

Não satisfeita, em 1978, já com 52 anos, decidiu atravessar a recém construída rodovia transamazônica, quando toda a região era muito mais erma do que é hoje. Ela começou a viagem sem saber trocar o pneu da bicicleta.

Suas aventuras viraram dois livros: a volta ao mundo é contada em I Follow the Wind, sem lançamento no Brasil, e sua travessia amazônica é narrada em Amazônia, a Viagem Quase Impossível (Ed. Totalidade, 1982).

 

6 – Carol Emboava

Carol Emboava

Carol Emboava pedalou 18 mil quilômetros da América do Sul, a maior parte deles sozinha. Paulista de Taubaté, sua viagem e sua energia aparentemente infinita já serviram de motivação para dezenas de ciclistas, mulheres e homens, querendo colocar o pé na estrada.

Você pode conferir um pouco de sua aventura com os podcasts no portal Extremos e suas fotos no Instagram.

 

7 – Amelia Earhart

Amelia Earhart

Amelia Earhart foi uma pioneira da aviação e grande defensora dos direitos das mulheres, em uma época em que ainda pouca gente falava sobre isso. Ela foi a primeira mulher a cruzar o Atlântico pilotando um avião, em 1928, e estabeleceu diversos outros recordes de aviação.

Ela escreveu livros sobre suas experiências de voo e foi fundamental para a organização de mulheres que desejavam pilotar aviões (atividade estritamente masculina no início do século XX)

Amelia desapareceu misteriosamente no Oceano Pacífico enquanto tentava realizar um voo ao redor do planeta em 1937.  

 

8 – Valentina Tereshkova

Retrato da cosmonauta Valentina Tereshkova

Valentina Tereshkova deu 48 voltas ao redor da terra em junho de 1963. Foi a primeira mulher a ir para o espaço, e até hoje a única mulher a entrar em órbita em um voo solo.

Nas 71 horas de duração do viagem espacial, ela sofreu com náuseas, vômitos, dores na canela direita e desconforto psicológico. Na aterrisagem, correu o risco de cair dentro de um lago, o que teria significado sua morte, pois não teria forças para nadar até a margem.

Seus três dias a bordo da nave espacial Vostok V eram então mais tempo no espaço que todos os astronautas norte-americanos tinham juntos.

Depois de sua missão, ela entrou para a política e lutou para colocar mais mulheres no programa espacial russo. Valentina é até hoje considerada heroína nacional e defensora dos direitos da mulher na Rússia.

Não dá para ser mais outdoor que isso.

Review da sapatilha Kestrel Lace, da Five Ten

Review da sapatilha Kestrel Lace, da Five Ten

Procurando uma boa sapatilha para mountain bike, speed ou uso urbano? A Kestrel Lace é uma das melhores sapatilhas para bike da Five Ten e do mercado. Se você busca algo que alie desempenho, conforto e um ótimo visual, encontrou.

O Caddu, do canal de MTB e downhill Solta o Freio, fez um vídeo-review sobre a sapatilha. Dê uma olhada na opinião de quem entende do riscado:

Link do video original no canal da SBI Outdoor

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Precisamos falar mais sobre mulheres na escalada

Precisamos falar mais sobre mulheres na escalada

Hoje é 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

Nada de flores ou fotos bonitas com frases de efeito para compartilhar nas redes sociais. Para viver bem o dia de hoje – dia de luta e conquista – resolvemos explorar um fenômeno que todos já perceberam que vem acontecendo nos ginásios e na rocha, mas ainda tem pouca gente falando sobre isso:

As mulheres estão mandando muito na escalada. Ler mais

Em harmonia com a natureza: como não deixar rastros em ambientes naturais

Em harmonia com a natureza: como não deixar rastros em ambientes naturais

Afinal, qual a maneira ideal de fazer uma fogueira na natureza? Posso lavar as panelas no rio? Qual o jeito certo de fazer cocô no mato? Qual a distância mínima de cursos d’água? Tenho que levar meu lixo orgânico de volta? Aquela casca de banana vai se decompor rapidinho…

Você é uma pessoa que se preocupa com o meio ambiente. Separa o lixo reciclável, fica atento no tempo do banho e tem orgulho de recusar sacolas plásticas no mercado. E quando viaja para a natureza, tem a consciência de não escutar música alta, trazer seu lixo de volta e não alterar a vegetação.

Mas convenhamos: por mais bem-intencionado que a gente seja, não é fácil reduzir nosso impacto a zero, não é mesmo? É só olhar um pouco para nossas aventuras passadas para lembrar de vacilos grandes que cometemos em campings, trilhas e expedições em ambientes naturais. Ler mais