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Ton Sai Pura Escalada

Numa viagem de três meses pelo outro lado do mundo, Ton Sai foi o lugar escolhido para juntar escalada e viagem em família. 

Por Danielle Pinto

Viajar para fora do continente, para o outro lado do mundo, gera uma certa dose de ansiedade. Além é claro de muita alegria e entusiasmo, aquela sensação “me belisca que eu estou sonhando”. Viajar é se jogar num mar de incertezas e possibilidades. E a gente se jogou para aquele cenário de filme, mar azul, areia branca cercado por encostas e paredes de calcário. Nossa viagem em família, – eu, meu companheiro Ingo e nossa filha Alice -, começou com escalada em rocha, na península de Pra Nang, ao sul da Tailândia.


Escalada

Entre os escaladores, a praia de Ton Sai é conhecida internacionalmente pela qualidade e quantidade de vias. A alta temporada de escalada é nos meses de janeiro e fevereiro, e nesta época os setores ficam lotados. Para escalar as vias clássicas é preciso chegar cedo e ter paciência para esperar sua vez. Porém são dezenas de setores e 500 vias em toda a região. Nossa estratégia era caminhar um pouco mais e encontrar setores privados ou menos lotados. As caminhadas mais longas não ultrapassam uma hora, e ainda tem setor na beira da praia. Para quem escala e viaja com crianças, o lugar é altamente recomendado.

Devido ao calor e sol forte também é essencial escalar na sombra. A beleza estética das vias, com formações rochosas pouco familiares, como estalactites e estalagnites, torna a escalada tridimensional. Muitos tetos com agarrões, e tetos com regletes também. A graduação usada é a francesa, e as vias vão do 6a ao 8c+. O tamanho das vias também varia bastante, tem via de 12m até vias de 170m. Também tem piscobloc e passeios de barco para escalar nas ilhas próximas. Muita informação e serviços de escalada, como guia, aluguel e venda de equipamento. Você encontra o guia local de escalada e magnésio facilmente.

Desde de 2011 a comunidade local de escaladores está trabalhando no projeto chamado Thaitanium Project, que visa equipar todas as linhas de escalada com grampos de titanium. Atualmente a maioria das vias já foram reequipadas.
Ton Sai é pura escalada!

Serviços

A acomodação normalmente são bangalows, quarto e banheiro, que variam de $12 a $45. Muito difícil encontrar acomodação com cozinha. Mas você terá dezenas de opções de restaurante para realizar suas refeições. Uma refeição por pessoa sai em torno de $7. Numa viagem longa, isso pode deixar as despesas bem mais altas. Nós ficamos 32 dias em Ton Sai e improvisamos uma cozinha, com consentimento do proprietário.

Como Chegar

Para chegar na praia de Ton Sai é preciso primeiro chegar em Krabi. Você pode optar por avião ou ônibus. De avião a viagem dura cerca de 5 horas, de ônibus 12 horas. De Krabi mais uma hora de taxi, ou transporte público, até a praia de Ao Nang. E de lá 15 min de barco motor até a belíssima praia de Ton Sai.

Fotos Danielle Pinto

A Pandemia

Desembarquei em Bangkok no dia 21 de janeiro, e ali onde a viagem começou recebemos as primeiras mensagens “Se cuidem com o Covid”. Nestes primeiros dias esse perigo parecia algo muito distante, mesmo agente estando geograficamente perto da China. Nas semanas seguintes já se ouvia falar numa diminuição no número de turistas. Toda a região de Pra Nang é dominada pelo turismo de massa, e as consequências já são visíveis, o lixo por toda parte e a natureza perdendo espaço para mega resorts de luxo.

Quando partimos de Ton Sai, no final de fevereiro, a praia já estava vazia, os preços mais baixos, e as pessoas preocupadas com seu sustento. Em Bangkok praticamente 100% das pessoas estavam usando máscaras. Quando embarcamos para Kathmandu, o aeroporto de Suvarnabhumi, estava vazio, sem filas. Fizemos todo o procedimento de embarque em alguns minutos, processo que na chegada tinha levado pelo menos duas horas.

No Nepal a ameaça do Covid distanciou se novamente. No Thamel, região turística de Kathmandu, já não se via tantos turistas. E assim também foi na montanha. A única lembrança da existência do Covid eram os lodges vazios, e os proprietários preocupados com a temporada que não iria acontecer. A noção de que a situação realmente poderia ficar séria foi quando a Índia fechou as fronteiras. Nós estávamos subindo para o acampamento base do Annapurna, e ali percebemos que as férias estavam chegando ao fim antecipadamente. Quando descemos da montanha o Nepal também tinha fechado suas fronteiras. E nós estávamos lá! O Nepal é um país fantástico, com uma séria de problemas, mas muitas belezas e um povo encantador. Tivemos que ficar no país em quarentena do dia 23 de março a 15 de abril.

Acampamento base do Annapurna. Cordilheira do Himalaia Nepal

Danielle Pinto é jornalista, escaladora, yoguin e mãe. Professora de Yoga em São Bento do Sapucaí onde mora. Publica seus trabalho como jornalista e fotógrafa no site imaginate.com.br. Danielle faz parte do time de escaladores apoiados pela SBI Outdoor.