As 10 melhores vias de escalada em Gonçalves, MG (+ Croqui em PDF)

As 10 melhores vias de escalada em Gonçalves, MG (+ Croqui em PDF)

As 10 melhores vias de escalada em Gonçalves, MG (+ Croqui em PDF)

Por Cláudio Brisighello

Neste meu primeiro texto por aqui, vou aproveitar o espaço para falar de boas escaladas desta região de São Bento do Sapucaí e sul de Minas. Sempre no intuito motivador!

Desta vez homenageio o setor Cruzeiro em Gonçalves: para quem acessou o croqui eletrônico que fiz no ano passado, devem ter notado ao final alguns depoimentos de “linhas favoritas” de grandes escaladores que prestigiaram os boulders do local.

Como eu participei da concepção de muitos destes boulders, tal intimidade me estimulou a divulgar as minhas prediletas, em uma ordem de preferência que confesso ter sido difícil de escolher:

10) Arranha Céu V2

Claudio Bresiguella escalando a via "Arranha-céu"

Dominando o “arranha-céu”

Começando com este passeio por agarrões, ficando claro que não tenho preconceito com linhas fáceis. Highball comprometedor limpo pelo Flavio ‘Massa’ Castagnari, é uma das linhas mais cenográficas do setor. Uma verdadeira conexão com aquele ambiente mágico no salão inferior da floresta.

 

9) Amarelinha V11

Aresta do bloco mais futurista do setor, solucionada em uma session animada com Paul Robinson, Felipe Camargo e André Berezoski. Conta com 5 ascensões, desses 3 monstros mais o “titiu” que vos escreve e o carioca Miguel “Esteban”.

Não se intimide: esta linha é de muito encaixe e equilíbrio, definitivamente não se trata de uma escalada de força bruta. Vale lembrar que os grandes projetos na face negativa permanecem em aberto…

8) Ilha de Pandora V10

Foi a primeira linha de “2 dígitos° do setor, aberta no sebo de janeiro, ilustrando bem que apertar forte é perfeitamente possível à luz do dia, em qualquer época do ano.

Um boulder “definição de lowball” que também evidencia outro ensinamento que pratico religiosamente: jamais colar agarras de forma precipitada. Uma grande laca se quebrou no meio do bloco e se tivesse sido reforçada, teria tornado o lindo boulder em uma escadinha de 3 ou 4 movimentos fáceis.

7) Totoro V8

foto-sequência da escalada da via Totoro

Sequência explosiva do “Totoro”

Mais uma linha recompensada pelos seus arredores, pois transcorre o meio de um bloco suspenso sobre um platô, ao lado de uma enorme árvore que inspirou o nome do boulder. A saída possui um dos tapas mais clássicos do setor!

6) Bola 7 V10

Uma linha sem domínio fazendo parte desta lista. Haja classe para compensar então! Difícil é encontrar algo parecido: uma escalada exigente com todos os tipos de agarras – batentão, regletinho, buraco, invertida, abaulado, pinça e até agarrão perfeito pra finalizar – um cardápio completo.

O nome se deve ao trabalho hercúleo que foi feito na base, sem o qual a linha estaria bloqueada por pedras gigantes que tivemos que rolar, usando até catracas para guinchar e, com muita sorte, uma jogada de “sinuca” que expulsou a última pedra entalada no início deste negativo.

5) As Cracas Também Amam V11

Uma das últimas linhas duras abertas no setor, diretíssima em agarras mínimas que me lembraram um pouco da minha vivência no Rio de Janeiro (daí o nome).

Sempre subestimei a possibilidade de solucionar este trecho “minimalista” de pedra, que exige um misto de movimentação explosiva e calculada. Famosa “linha pura”, sai sentado e toca pra cima pelo único caminho possível.

Começo duro, crux no terço final, altura perfeita e base boa. Atributos que eu, Belê e Carlera certamente gostamos e não à toa prestigiamos com as 3 ascensões da linha até o momento.

4) Fúria Cega V9

Talvez a linha mais alta do setor. O começo é surpreendente e define 90% da dificuldade, com passagens boulderísticas que culminam em um entalamento de joelho obrigatório, acima das mãos, simplesmente fantástico e raro de se ver em uma escalada não tão desplomada.

O problema é que os “10%” restantes podem ser resumidos no último movimento, um lance delicado para a borda do bloco, onde já vi gente cair e contar até 3 antes de acertar os crashpads (leve todos que tiver).

Mestre Berezoski, com sua “resista”, experiência mental e muita “Fúria Cega”, fez acontecer a primeira ascensão.

3) Sossega Leão V11

Boulder "Sossega-leão", em Gonçalves

Detalhe deste boulder “tranquilizante”

Me lembro da primeira experiência neste pedaço de pedra não muito atraente, mas com agarras óbvias. A sensação humilhante de não conseguir sair do chão em um boulder é algo que um “desenvolvedor de boulders” constantemente convive e, no meu caso, adoro ficar horas tentando solucionar um movimento improvável.

Dito e feito, após uma primeira session frustrante, retornei com calma e durante toda uma tarde fui resolvendo, na média de meia hora por movimento, este boulder que se tornou uma das linhas mais modernas que já abri.

2) Além da Imaginação V8

Uma nave suspensa no meio de um “vale perdido”. Tão surreal que mereceu uma “terraplanagem” na base, feita com o Mr. Berezoski. Um boulder cinematográfico. Mais uma linha pura, saindo em compressão de teto e dominando no bico da nave.

1) Calvário V9

Claudio Brisighello escalando a via "calvário"

Dois ângulos do mesmo movimento: crucificado no “Calvário” (imagem: Erich Okamura e arquivo pessoal)

Essa é quase uma unanimidade. Difícil encontrar algo assim, linha pura, só de compressão o tempo todo, dificuldade constante, negativa e alta. Um clássico do estilo, digno do selo world-class. Marcelo “Babaleia” fez as honras da inauguração, depois a linha “crucificou” os repetidores Belê, eu, Jean Ouriques e Fábio “Moleza”, se não me falha a memória.

Apesar do gosto pessoal envolvido aqui, posso garantir a qualidade de cada uma dessas escaladas, além de muita evolução em diferentes aptidões. Vale lembrar que todas as opções acima estão localizadas nas áreas permitidas do setor.

Havendo dúvidas, consulte a galera local ou o croqui eletrônico do setor Cruzeiro.

Boas escaladas, boa temporada!

Cláudio Brisighello

Felipe Fontes

Ciclista apaixonado, escalador iniciante e jornalista nas horas vagas. Largou tudo e viveu em sua bike por três anos, desbravando 18 estados brasileiros e 13 países em dois continentes. Hoje vive de tomar banho de cachoeira em Carrancas, sul de Minas Gerais.